Al Kahf 18-9
Ou pensas que os Companheiros da Caverna e da Inscrição eram maravilhas entre o Nosso Sinal?
Hamid Moghadam, 2024
Ou julgas que os Companheiros da Caverna e da Inscrição foram uma maravilha dentre Nossos sinais!
Aminuddin Muhammad, 2023
Supões que os Companheiros da Cavema ¹ e do Ar-Raqim ² sejam, entre nossos sinais, algo de admiração?
(Dr. Helmi Nasr, 2015)
[¹] Não se sabe, ao certo, quem eram estes Companheiros da Caravana nem quando ou onde se protegeram de provável perseguição. Tudo o que o Alcorão diz é que eram jovens crentes, foragidos de uma sociedade repressora, a fim de poderem preservar a crença. Do que se deduz que, possivelmente, se tratava de vítimas de perseguições religiosas, e, no estudo destas perseguições religiosas, relatadas pela História, chegamos a algumas que parecem encaixar-se neste quadro. A primeira hipótese se prenderia à perseguição ocorrida ao tempo do rei seiêucida Antíoco IV, Epifano (175 - 164 "C.Xque, ao apoderar-se do reino sírio, e sendo profundo admirador da civilização helénica, impôs aos judeus da Palestina - dominada, na época, pelos sírios - a religião grega e a anulação do judaísmo. Daí concluir-se que os Companheiros da Caverna eram judeus refugiados de Jerusalém, onde habitavam. Seu despertar dataria, então, de 126 d.C., ou seja, 445 anos antes do nascimento do Profeta Muhammad. A Segunda hipótese se ligaria à perseguição ocorrida no reinado do imperador romano Adriano (117 a 138 d.C.), que, da mesma forma que Antíoco, perseguiu os judeus. Em 13 d.C., os judeus, rebelando- se contra o Império Romano, expulsaram da Palestiana as legiões romanas e apoderaram-se de Jerusalém, que dominaram por três anos. Foi, depois disso, que Adriano, com seu exército, invadiu a Palestina e pôs fim à soberania dos judeus, retomando Jerusalém e extinguindo o judaísmo com a morte de seus líderes e a escravidão de seu povo. Novamente, a História comprova que estes Companheiros eram judeus e provavelmente habitavam Jerusalém. Seu despertar, então, haveria ocorrido cerca de 435 d.C., ou 135 antes do nascimento do Profeta. A maioria dos exegetas, entretanto, aponta a primeira hipótese como a mais congruente com o episódio do Alcorão.
[²] Este nome foi interpretado de vários modos. Dizem uns que se tratava de uma tábua, onde foram escritos os nomes dos Companheiros da Caverna; ou, como preferem outros, o nome do cão destes; outros, ainda, dizem ser o nome do vale, em que se achava a Caverna, ou o nome da montante ou da aldeia.
Pensas, acaso, que os ocupantes da caverna e da inscrição ¹ forma algo extraordinário entre os Nossos sinais?
(Prof. Samir El Hayek, 1974)
[¹] Raquim = inscrição. Essa palavra é assim interpretada pelo Jalalain, sendo que a maioria dos exegetas com isso concordam. Ver a nota seguinte. Outros acham que se tratava do nome de um cão; ver o versículo 18 desta surata (Alcorão 18-18), mais adiante.
Já reparaste que a história dos companheiros da Caverna e do Raquime é uma coisa extraordinária entre as Nossas revelações?
José Pedro Machado, 1979
¹ Começa a narrativa do milagre dos Sete Adormecidos, jovens cristãos, da Ásia Menor, perseguidos e condenados à morte pelo imperador romano Décio (249-251), que mandou obstruir a entrada da Caverna onde se haviam refugiado. Aí adormeceram os Sete cristãos de Éfeso e só acordaram ao fim de 196 anos, no 38.º ano do reinado de Teodósio II (408-450), para expirarem depois de conhecida a sua história. A festa destes mártires era a 28 de Julho. Segundo o famoso historiador inglês setecentista Eduardo Gibbon, Decline and Fall of the Roman Empire, cap. XXXIII, os Sete Adormecidos estariam inscritos nos calendários litúrgicos das Igrejas Cristãs (Romana, Abissínia e Russa). Manda consultar os Bolandistas. Gibbon também faz comentários acerca deste passo do Alcorão. Nascido no próprio século V, o escritor sírio Tiago de Saruja é o mais antigo autor, hoje conhecido, que trata desta história. Antes dele, no século III, Teodoro e Rufino haviam depositado, entre as pedras que obstruíam a entrada da Caverna, mensagem deste martírio, em escrito selado com dois selos de prata. Ver Legenda Aurea, do Beato Tiago de Voragine, cap. c. Da Mongólia à Escandinávia, ecoou a fama do milagre. Dele há vestígios em O Monge e o Passarinho e também no conto tradicional da Bela Adormecida. / O Raquime tem significação discutida. Na nossa opinião, provirá do substantivo masculino raqīm, «carta», «mensagem», referindo-se ao escrito deixado entre as pedras obstrutoras da boca da Caverna, no século III. Este vocábulo é do mesmo radical que as palavras árabes raqq, «pergaminho», e úraq, «folha de papel», «placa de metal». Quanto a ser nome do cão (acrescentado, no Alcorão, à história dos Sete Adormecidos) é duvidoso. A própria palavra kalb, «cão», presente nos vv. 17 e 21, pode ter resultado de confusão, pelos escribas de Abu Becre, com katb, «escrito», substantivo, referindo-se ao escrito selado que Teodoro e Rufino depositaram à entrada da Caverna.
Ou pensas que os companheiros da gruta e de Ar-Raquim constituíam um prodígio entre Nossos sinais?
(Mansour Challita, 1970)
Pensas tu que o Povo da Caverna e a Inscrição eram um portento entre os Nossos Sinais?
(Iqbal Najam, 1988)
اَمْ حَسِبْتَ اَنَّ اَصْحَابَ الْكَهْفِ وَالرَّق۪يمِ كَانُوا مِنْ اٰيَاتِنَا عَجَبًا
Al Kahf 18/9
Alcorão 18-9
