Profeta Jó no Alcorão

Profeta Jó no Alcorão

Um Mensageiro da linhagem de Abraão

Agraciamo-los com Isaac e Jacó, 1 que iluminamos, como havíamos iluminado anteriormente Noé 2 e sua descendência, Davi e Salomão, Jó e José, Moisés e Aarão. Assim, recompensamos os benfeitores.

E Zacarias, 3 Yáhia (João), Jesus e Elias, pois todos se contavam entre os virtuosos.

E Ismael, Eliseu, Jonas e Ló 4, cada um dos quais preferimos sobre os seu contemporâneos.

E a alguns de seus pais, progenitores e irmãos, elegemo-los e os encaminhamos pela senda reta.

Tal é a orientação de Deus, pela qual orienta quem Lhe apraz, dentre os Seus servos. Porém, se tivessem atribuído parceiros a Ele, tornar-se-ia sem efeito tudo o que tivessem feito.

São aqueles a quem concedemos o Livro, a sabedoria e a profecia. Mas se estes (seus descendentes) os rejeitassem, mesmo assim, confiá-los-íamos a outro povo que não fosse incrédulo.

São aqueles que Deus iluminou. Toma, pois, seu exemplo. Dize-lhes: Não vos exijo recompensa alguma, por isto. Ele (o Alcorão) não é mais do que uma mensagem para a humanidade. (Al An’am | O Gado 6/84-90)

Livra-se de Doença

E (recorda-te) de quando Jó5 invocou seu Senhor (dizendo): Em verdade, a adversidade tem-me açoitado; porém, Tu és o mais clemente dos misericordiosos!

E o atendemos e o libertamos do mal que o afligia; restituímos-lhes a família, duplicando-a, como acréscimo, em virtude da Nossa misericórdia, e para que servisse de mensagem para os adoradores.  (Al Anbiyá | Os Profetas 21/83-84)

E recorda-te do Nosso servo, Jó 6, que se queixou ao seu Senhor, dizendo: Satanás me aflige com a desventura e o sofrimento!

(Ordenamos-lhe): Golpeia (a terra) com teu pé 7! Eis aí um manancial (de água), para banho, refrigério e bebida.

E lhe restituímos a família, aumentando-a com outro tanto, como prova das Nossas misericórdia e mensagem para os sensatos.

E apanha um feixe de capim, e golpeia 8 com ele; e não perjures! Em verdade, encontramo-lo perseverante – que excelente servo! – Ele foi contrito. (Sad 38/41-44)

A Relaxação Recebida

Inspiramos-te, assim como inspiramos Noé e os profetas 9 que o sucederam; assim, também, inspiramos Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e as tribos, Jesus, Jó, Jonas, Aarão, Salomão, e concedemos os Salmos a Davi. (An Nissá | As Mulheres 4/163)

Notas:

  1. Temos agora uma lista de dezoito Mensageiros, dividida em quatro grupos, compreendendo os grandes Mestres, aceitos entre os adeptos das três grandes religiões, baseadas em Moisés, Jesus e Mohammad. O primeiro grupo a ser mencionado é o de Abraão, com seu filho, Isaac, e o filho de Isaac, Jacó. Abraão foi o primeiro a receber um Livro. Este é mencionado no versículo 19 da 87ª Surata, embora tal Livro esteja agora perdido. Portanto, eles foram os primeiros a receber a Diretriz, em termos de um Livro.
  2. No segundo plano, temos os grandes fundadores de famílias, isoladamente de Abraão, a saber: Noé, do tempo do Dilúvio; Davi e Salomão, os verdadeiros estabilizadores da monarquia judaica; Jó, que viveu 140 anos, viu quatro gerações de descendentes, e no fim de sua vida foi abençoado com uma vasta riqueza agropecuária (Jó, 42:12 e 16); José, que foi Ministro de Estado no Egito, realizando ali grandes obras, e foi o progenitor de duas tribos; e Moisés e Aarão, os líderes do Êxodo do Egito para a Palestina. Eles viveram intensamente, e são denominados “praticantes do bem”.
  3. O terceiro grupo consiste, não de homens, de ação, mas de Pregadores da Verdade, que levaram vidas solitárias. Seu epíteto é “os Virtuosos”. Eles foram profetas místicos, e formam um grupo conexo, em torno de Jesus. Zacarias foi o pai de João Batista, o precursor de Jesus (versículos 37;41 da 3ª Surata). Jesus referiu-se a João como sendo Elias: “…ele mesmo é Elias, que há de vir” (Mateus, 11:14); e diz-se que Elias esteve presente, e que falou com Jesus, na Transfiguração, no Monte (Mateus, 17:3).
  4. Este é o derradeiro grupo, descrito como o daqueles “favorecidos acima das nações”. Ele se constitui de quatro homens, e todos eles passaram por infortúnios, e foram envolvidos nas destruições das nações, permanecendo, contudo, na senda de Deus, surgindo, então, acima das ruínas delas. Ismael era o filho mais velho de Abraão; quando era um bebê, ele e sua mãe quase morreram de sede no deserto, ao redor de Makka; porém, eles foram salvos pelo poço de Zamzam, tornando-se ele o fundador da nova nação árabe. Eliseu (Al-yas’a) sucedeu ao Profeta Elias, que viveu em tempos atribulados para ambos os reinos judaicos (Judá e Israel); havia reis iníquos, com outras nações a pressioná-los; mas ele realizou muitos milagres, e algum revide foi dado ao inimigo, a conselho seu. A história de Jonas (Yunus) é bem conhecida; ele foi engolido por um peixe, ou baleia, mas foi salvo pela misericórdia de Deus; por causa da sua pregação, a sua cidade (Nínive) foi salva (versículo 98 da 10ª Surata). Ló era sobrinho e contemporâneo de Abraão; quando a cidade de Sodoma foi destruída, por causa da corrupção, ele foi salvo, como um homem justo (versículos 80-84 da 7ª Surata.
  5. Jó (Aiub) foi um homem próspero, com fé em Deus, que viveu algures, no quadrante nordeste da Arábia. Ele sofreu um sem-número de calamidades: seu gado foi destruído, seus servos, mortos pela espada, e sua família, esmagada sob o seu teto. Mas ele se apegou ferrenhamente à sua fé em Deus. Deus fez recair sobre ele a Sua misericórdia, e ele reassumiu a sua humildade e abandonou a justificativa. Foi-lhe restabelecida a prosperidade, duas vezes mais consistente do que antes; seus irmãos e seus amigos voltaram a dar-lhe atenção; ele passou a ter uma nova família, com sete filhos e três bonitas filhas. Ele chegou a uma velhice razoável, e viu quatro gerações de descendentes.
  6. A aflição era de muitas espécies: física, mental e espiritual (ver a nota do versículo 83 da 21ª Surata). Ele tinha chagas asquerosas; havia perdido seu lar, suas posses e sua família; e quase perdeu o seu equilíbrio mental. Porém, não perdeu a Fé, mas voltou-se a Deus (ver o versículo 44, acima), e o processo recuperativo teve início.
  7. Com o processo recuperativo iniciado, foi-lhe ordenado que golpeasse a terra ou a rocha com os seus pés, para que uma fonte ou fontes surgissem, a fim de que ele tomasse banho e limpasse o seu corpo, para que refrescasse o seu espírito; e para que bebesse e se saciasse. Isto constitui um novo traço, que não é mencionado na 21ª Surata, nem no Livro de Jó, mas que engrandece magnificamente a nossa realização da imagem.
  8. Em sua pior aflição, Jó foi paciente e constante na fé, mas aparentemente, sua esposa não o foi. De acordo com o Livro de Jó (Jó, 2:9-10): “Então sua mulher disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Porém, ele lhe disse: Como fala qualquer das doidas, falas tu; recebemos o bem de Deus, e por que não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” Ele deve ter dito à mulher, em sua precipitação, que bateria nela; é-lhe pedido, então, que a corrija apenas com um feixe de capim, para mostrar-lhe que ele é gentil e humilde, bem como paciente e constante.
  9. Primeiramente, temos uma afirmação generalizada: que a inspiração foi enviada a muitos Mensageiros e que essa inspiração era da mesma espécie da que foi enviada ao Mensageiro Mohammad, porquanto a mensagem de Deus é uma só. Nota-se que aquilo de que se fala, aqui, é inspiração, não necessariamente de um Livro. Toda a nação, ou todo grupo de pessoas, teve um mensageiro (10ª Surata, versículo 47). Alguns destes mensageiros são mencionados pelo nome, no Alcorão, e outros não (4ª Surata, versículo 164).